Ontem, dia 28 de setembro, foi o dia em que mulheres Latino-Americanas e Caribenhas saíram às ruas para pedir aos governos que as deixem cuidar das suas vidas. Para esses países, é o dia pela Legalização do Aborto. Eu sei que para muitos, (e na maioria das vezes, muitas) aborto soa como um assassinato de um "bebe" que não tem culpa de ter "vindo ao mundo", porém, há controversas. Como já foi argumentado em outros blogs, uma pessoa é dada como morta - ou sem vida - desde que o Sistema Nervoso Central desta não mais funcione, porém, por lógica, um feto de até 12 meses (prazo máximo para a provocação do aborto nos países em que é legalizado) que não possui seu SNC totalmente completo e eu funcionamento, ainda não possui vida. E por falar em vida, 1 em cada 5 mulheres já provocaram um aborto e isso põe em risco suas vidas, tendo que recorrer, na maioria das vezes à clínicas clandestinas com péssima higiene, limpeza e sem nenhuma profissionalidade, porque são poucas as que podem pagar uma boa clínica ou viajar para o exterior para efetuar o aborto legalmente. Se o Estado não se submetesse aos dogmas religiosos de não abortar, o mundo não perderia 70 mil mulheres ao ano. Imaginemos a seguinte situação: Uma menina de 15 anos, moradora de uma favela brasileira, com problemas familiares, educação precária e falta de informação, engravida e o pai da criança não quer nem saber dos dois. Ela tem duas opções. A primeira é ter o filho em uma condição talvez mais precária que a dela mesma, sem educação, sem saúde, sem lazer, sem moradia, correndo riscos frente ao tráfico, as drogas e a violência da cidade grande. A segunda opção é abortar, pois assim, ela pode ter ao menos mais uma chance de poder crescer e sair daquela vida que a foi imposta. Ela vai até uma clínica clandestina e de lá vai direito para o SUS pois em 5 anos, 1,2 milhões de mulheres foram internadas pelo Sistema Único de Saúde por causa de complicações em abortos clandestinos. Se ao menos o governo legalizasse este ato, que é aceito em diversos países europeus e até na América do Norte, com certeza, diminuiria a morte de diversas mulheres, pois proibir o ato, não impede que elas o façam. Somos mulheres e podemos votar. Somos mulheres e podemos lutar. Somos mulheres e podemos amar. Somos mulheres e podemos trabalhar. Somos mulheres e podemos estudar. Somos mulheres e devemos ter o direito de cuidar do nosso corpo e da nossa vida!
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
"Eu acredito na rapaziada."
Este episódio da ocupação da Reitoria da UFSM tem despertado as mais distintas opiniões, inclusive de que a gurizada está passando dos limites.
Ora, alguém já imaginou algum tipo de manifestação que não cause transtorno a ninguém? Se não incomoda, não tem poder algum de obter algum resultado.
Sei que o bom senso devia me convencer que eu devia ficar fora desta, porque parece que não tenho nada a ver com o caso, mas como cidadão acho uma barbaridade que, em vista da greve de servidores, os estudantes se vejam há mais de dois meses sem RU e sem Biblioteca.
Convenhamos que esta gurizada é abusada. Quer ter o direito de comer e estudar. Pode uma coisa destas?
Faz dois meses ou mais que estudantes pobres, muitos morando naquele palacete chamado Casa do Estudante, eufemisticamente chamada de CÉU, e que tem enormes dificuldades para pagar um sanduíche sequer, não recebem alimentação no RU.
As aulas continuam e os trabalhos escolares também. No entanto, a Biblioteca está fechada!
Fala sério gurizada, quem não tem pão que coma brioches. Quem não tem almoço barato que venda os poucos livros velhos que tem, quem sabe as roupas, aquele único tênis rasgado que calça, quem sabe a dignidade?
Eu morei na Casa do Estudante 1 e comi no RU por quatro anos, o que muito me envaidece, pois foi a única maneira de obter meu diploma e hoje poder ter orgulho de dizer que estudei na UFSM e, pretensiosamente, poder dizer que venci na vida.
Muitas vezes comia na casa de algum colega e vendia (era ilegal, claro, mas agora já está prescrito o crime!) o ticket do jantar, e aí ia levando, até me formar.
Só tinha condições de fazer algum trabalho porque havia a biblioteca, porque comprava num semestre um livro indicado pelo professor e o vendia no semestre seguinte, para comprar o volume 2.
Esta gurizada de hoje faz festa, e isto é muito bom, pois luta tanto quanto eu para ser reconhecido, e não é justo que tenham de aceitar todo o desprezo do Estado-União quanto aos seus mais elementares direitos.
A questão não é saber quem é culpado pela greve dos servidores, mas é certo que a responsabilidade todos sabem de quem é: da União irresponsável. Tem dinheiro para tudo, menos para dar aos estudantes bóia e biblioteca.
Depois não sabem por que as bibliotecas estão vazias!
Sem violência às pessoas e sem destruição do patrimônio público (que disto já está se encarregando o Estado), toda manifestação por direitos é justa, válida e legítima.
Rapaziada, eu acredito em vocês.
João Marcos Adede y Castro
Ora, alguém já imaginou algum tipo de manifestação que não cause transtorno a ninguém? Se não incomoda, não tem poder algum de obter algum resultado.
Sei que o bom senso devia me convencer que eu devia ficar fora desta, porque parece que não tenho nada a ver com o caso, mas como cidadão acho uma barbaridade que, em vista da greve de servidores, os estudantes se vejam há mais de dois meses sem RU e sem Biblioteca.
Convenhamos que esta gurizada é abusada. Quer ter o direito de comer e estudar. Pode uma coisa destas?
Faz dois meses ou mais que estudantes pobres, muitos morando naquele palacete chamado Casa do Estudante, eufemisticamente chamada de CÉU, e que tem enormes dificuldades para pagar um sanduíche sequer, não recebem alimentação no RU.
As aulas continuam e os trabalhos escolares também. No entanto, a Biblioteca está fechada!
Fala sério gurizada, quem não tem pão que coma brioches. Quem não tem almoço barato que venda os poucos livros velhos que tem, quem sabe as roupas, aquele único tênis rasgado que calça, quem sabe a dignidade?
Eu morei na Casa do Estudante 1 e comi no RU por quatro anos, o que muito me envaidece, pois foi a única maneira de obter meu diploma e hoje poder ter orgulho de dizer que estudei na UFSM e, pretensiosamente, poder dizer que venci na vida.
Muitas vezes comia na casa de algum colega e vendia (era ilegal, claro, mas agora já está prescrito o crime!) o ticket do jantar, e aí ia levando, até me formar.
Só tinha condições de fazer algum trabalho porque havia a biblioteca, porque comprava num semestre um livro indicado pelo professor e o vendia no semestre seguinte, para comprar o volume 2.
Esta gurizada de hoje faz festa, e isto é muito bom, pois luta tanto quanto eu para ser reconhecido, e não é justo que tenham de aceitar todo o desprezo do Estado-União quanto aos seus mais elementares direitos.
A questão não é saber quem é culpado pela greve dos servidores, mas é certo que a responsabilidade todos sabem de quem é: da União irresponsável. Tem dinheiro para tudo, menos para dar aos estudantes bóia e biblioteca.
Depois não sabem por que as bibliotecas estão vazias!
Sem violência às pessoas e sem destruição do patrimônio público (que disto já está se encarregando o Estado), toda manifestação por direitos é justa, válida e legítima.
Rapaziada, eu acredito em vocês.
João Marcos Adede y Castro
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Nota de Esclarecimento Público
Na edição do Jornal da A Razão de hoje, dia 06 de Setembro de 2011, a ocupação da Reitoria da UFSM foi tratada na manchete de capa como um movimento que “já passou dos limites”. Na reportagem, no interior do jornal, foi colocado que os estudantes “expulsaram” o repórter e o fotógrafo do Jornal, o que não aconteceu. Em função disto, enviamos uma nota ao Jornal que publicamos abaixo na íntegra.
NOTA DE ESCLARECIMENTO PÚBLICO
Santa Maria, RS – 6 de setembro de 2011
Cremos que a gestão da universidade não vem cumprindo com seu papel de forma eficiente, principalmente no que tange a contratação de novos professores e técnico-administrativos e a melhoria da infraestrutura e da assistência estudantil – demandas históricas e de inegável deficiência na atual expansão da Universidade. Por isso, em Assembleia Geral dos Estudantes, na última quinta-feira, dia primeiro de setembro, decidimos pela ocupação pacífica e organizada do prédio da Reitoria da Universidade Federal de Santa Maria.
Nosso movimento é legítimo, pois se trata de um prédio público, onde o povo tem a liberdade e o dever de exigir respostas daqueles que lidam com os recursos públicos. Somos todos estudantes e, como tais, zelamos pelo patrimônio desta que é também nossa Universidade. Julgamos que o fechamento da entrada principal fosse necessário, pois, mesmo que cobremos – já há anos – atitudes concretas com respeito a pautas que têm sido colocadas em segundo plano, a Reitoria não se dispôs a negociar efetivamente.
Ressaltamos, no entanto, que a entrada principal não é o único meio de acesso ao prédio, havendo duas outras entradas, que foram fechadas por decisão do próprio vice-reitor, Dalvan Reinert. Destaca-se que ontem, dia 5 de setembro, foi decidido que haveria reunião às 16 horas- com a comissão da reitoria incumbida de negociar- mesmo com a ciência da Reitoria sobre o fechamento parcial da entrada principal conforme consta em ata, assinada pelas duas comissões designadas para a negociação.
Organizamos uma Comissão de Ética que analisará a entrada de pessoas envolvidas em demandas urgentes, como, por exemplo, as do Hospital Universitário e as relacionadas às licitações necessárias para o atendimento às propostas do movimento. Nesse ínterim, entendemos que a mídia não deva tampouco ter acesso ao prédio, pois, como vimos na edição do jornal A Razão do dia de hoje, a imprensa em geral não tem tratado o assunto de forma minimamente imparcial.
A Comissão de Negociação formada é mediadora, salientando-se que todas as decisões, incluindo a manutenção da ocupação, cabem, portanto, a todos os estudantes aqui presentes. Ratificamos, assim, que permaneceremos ocupando o prédio até que a Reitoria apresente um projeto que contemple todas as reivindicações, que, afinal, são de toda a comunidade universitária.
Saudações estudantis,
Assembleia Geral de Ocupação
#OcupaçãoReitoriaUFSM
Há exatamente uma semana, acadêmicos de diversos cursos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) apoiados por alguns professores e pela ASSUFSM, ocuparam o edifício da Reitoria, para protestar contra o descaso da mesma. O Movimento Estudantil (ME) juntamente com o DCE/UFSM estão continuamente no local, reivindicando diversas melhorias em uma mas melhores universidades do Brasil. Aos poucos, negociações estão sendo feitas entre líderes do Movimento e representantes da Reitoria, porém, nem todas as negociações estão seguindo a risca as pautas dos estudantes, fazendo com que eles resistam no edifício. Segundo a "Nota de Esclarecimento Público" escrita por membros do Movimento e enviado ao Jornal A Razão (SM), "a universidade não vem cumprindo com seu papel de forma eficiente, principalmente no que tange a contratação de novos professores e técnico-administrativos e a melhoria da infraestrutura e da assistência estudantil. Portanto, no dia primeiro de Setembro de 2011, em Assembleia Geral dos Estudantes, foi decidido que ocorreria a ocupação pacífica e organizada do prédio da reitoria da Universidade." Além das pautas citadas a cima, os manifestantes exigem 10% do PIB brasileiro para a educação. Quem quiser, pode acompanhar a manifestação ao vivo pelo twitter, facebook e blogs da ocupação e de manifestantes, além de vídeos exibidos no YouTube.
http://twitter.com/#!/UFSMocupada
http://dceufsm.blogspot.com/
http://ocupacaoreitoriaufsm.wordpress.com/
http://www.youtube.com/user/ytjlzasso#p/u
Boa Luta aos companheir!@s
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Boa Luta aos companheir!@s
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Uma boa explicação (eu acho)!
Galera! devem ter notado que faz tempo que não posto nada aqui no Prosa_e_Poesia, mas tenho uma boa explicação. Segundo semestre do último ano antes de entrar na faculdade. Provas, obrigações, trabalhos, vestibular, PEIES, ENEM. Mas, em breve, voltarei a escrever sobre os fatos ocorridos na sociedade. Beijos.
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