Era uma tarde chuvosa de primavera. De longe dava para ouvir gritos desesparados de um cachorro. Ele estava em volta de um buraco que havia no chão e a todo custo, tentava entrar na "toca" ou chamar a atenção de alguém que por ali passava. Ao me aproximar, o cão jogou-se no buraco e quando olhei, vi que estava repleto d'água. Uma água turva e embarrada, proveniente da chuva que se estendia há mais de dois dias. Continuava a ouvir os gritos, então achei que ele estava se afogando e que estava daquele jeito, pois outro cão havia caído no mesmo buraco. Foi então que vi o cachorro, o qual percebi que era fêmea, tentando entrar em um túnel que havia dentro do buraco. Do túnel, saiam choros e gritos de vários filhotinhos, os quais, possivelmente, estavam se afogando. A cena deixou-me muito mal, pois sabia que não havia nada que eu pudesse fazer para salvar os cachorrinhos naquela tarde de outubro. Quando olhei no relógio e vi que estava atrasada para o compromisso que havia marcado, saí dalí com o sentimento de impotência perante o sofrimento de uma mãe, que clamava pela vida dos seus filhotes. Quando saí de perto, aparentou-me que ela perdeu as esperanças, também saindo de perto do buraco, mas continuava a gritar e a gritar.
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